domingo, 31 de outubro de 2010

Últimos telefonemas de vereador morto em Campo Grande devem ajudar na investigação

Éser Cáceres

Após determinar sigilo nas investigações sobre o assassinato do vereador Carlos Carneiro, presidente da Câmara Municipal de Alcinópolis, a Polícia Civil aguarda a quebra do sigilo telefônico do parlamentar para ajudar na elucidação do crime.
O vereador foi morto a tiros em Campo Grande na última terça-feira (26) em frente a um hotel para onde foi atraído por uma ligação telefônica. Alguém com o nome de "Antônio", teria marcado um almoço com ele no local pelo celular.
No hotel, Carneiro foi informado que não havia ninguém esperando por ele e que a empresa sequer servia almoços. Era uma emboscada. Ao sair, foi abordado pelo pistoleiro que o matou com três tiros.
Segundo a Polícia Civil, com acesso às informações sobre as últimas ligações telefônicas devem surgir novas pistas sobre o mandante do crime que foi encomendado por R$ 20 mil, segundo um dos matadores.
Documentos no carro
Outra parte importante do trabalho policial é a análise dos documentos encontrados dentro do automóvel do vereador. Há informações de que ele teria viajado até Campo Grande para formalizar denúncias contra autoridades de Alcinópolis no Ministério Público. Carneiro não teve tempo.
Segundo repórteres que chegaram ao local da execução momentos após o assassinato, no interior do carro do vereador havia muitas planilhas, algumas com dados sobre o "Fundo Municipal de Saúde". A documentaçõa foi recolhida pela Polícia Civil.
O prefeito da cidade, Manoel Nunes (PR), deixou Alcinópolis após o assassinato por orientação da própria Polícia. Ele chegou a ser apontado como principal suspeito de ser o mandante do crime por familiares do parlamentar, mas nega qualquer envolvimento.
LEIA MAIS sobre o caso nas notícias abaixo.

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vereador de Alcinópolis é executado; dois são presos

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010 13:35
Marta Ferreira
Azael Júnior
Movimentação de curiosos e de policiais no local onde vereador foi assassinado em Campo Grande.
 
O vereador de Alcinópolis Carlos Antônio Costa Carneiro, 40 anos, presidente da Câmara da cidade, foi assassinado no começo desta tarde em Campo Grande, por dois homens que estavam em uma moto. Houve perseguição dos atiradores por policiais que estavam próximo ao local do crime, o cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua Guia Lopes, e os dois homens se entregaram.

Carlos Antônio, havia ido ao hotel Vale Verde, na avenida Afonso Pena, e ao deixar o local em direção ao carro, uma EcoSport, a dupla se aproximou em uma motocicleta, um deles desceu e disparou três vezes, atingindo a vítima no rosto e no tórax.

Na sequência, os dois homens fugiram e, na Afonso Pena, dois policiais da DGPC (Delegacia Geral de Polícia Civil) que estavam parados no trânsito perceberam a movimentação, houve perseguição e eles se entregaram sem resistência, cerca de 800 metros depois.

A dupla confessou ter recebido R$ 20 mil para executar o vereador, segundo as informações da Polícia Civil. Eles não revelaram, ainda, de quem foi a encomenda.

O Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência) chegou a ser chamado e, por cerca de 15 minutos, tentou reanimar o vereador, sem sucesso. Até há pouco, o corpo estava numa viatura do Samu.

A execução em pleno centro da cidade juntou uma pequena multidão no local do crime.

Carlos Antônio é filho do fundador de Alcinópolis, Alcino Fernandes Carneiro, primeiro prefeito da cidade e hoje vice-prefeito.

(Colaborou Azael Jr.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Países árabes pedem que EUA investiguem denúncias feitas por Wikileaks


Plantão | Publicada em 25/10/2010 às 10h49m
BBC Wikileaks sugere que EUA ignoram denúncias de abusos no Iraque

O Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, grupo que inclui seis países árabes, pediu aos Estados Unidos que investiguem detalhes de supostos abusos que teriam sido cometidos contra os direitos humanos no Iraque veiculados no site especializado em vazamento de informações Wikileaks.
Os documentos do site sugerem que as Forças Armadas americanas ignoraram casos de tortura praticada pelas tropas iraquianas, além de se omitir de "centenas" de mortos de civis em postos de controle.
Em um comunicado, o secretário-geral do grupo, Abdulrahman al-Attiyah, disse que os EUA são responsáveis pelas supostas torturas e assassinatos.
O conselho é formado pela Arábia Saudita, Kuwait, Oman, Catar, Bahrein e Emirados Árabes.
O Pentágono disse que não tem intenção de reinvestigar os abusos.
O material divulgado pelo Wikileaks - considerado o maior vazamento de documentos secretos da história - comprova que os Estados Unidos mantiveram registros de mortes de civis, embora já tenham negado esta prática.
Ao todo, foram divulgados registros de 109 mil mortes, das quais 66.081 teriam sido civis.
No fim de semana, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, acusou o site de tentar sabotar suas chances de reeleição e criticou o que chamou de "interesses políticos por trás da campanha midiática que tenta usar os documentos contra líderes nacionais".
Maliki, representante da etnia xiita, tenta se manter no poder depois das eleições parlamentares ocorridas em março, no qual nenhum partido obteve maioria. As negociações entre as diversas facções para formar uma coalizão prosseguem.
Seus oponentes sunitas dizem que os papeis divulgados pelo Wikileaks destacam a necessidade de estabelecer um governo de coalizão, em vez de concentrar todo o poder nas mãos de al-Maliki.
Tortura
Muitos dos 391.831 relatórios Sigact (abreviação de significant actions, ou ações significativas, em inglês) do Exército americano aparentemente descrevem episódios de tortura de presos iraquianos por autoridades do Iraque.
Em alguns deles, teriam sido usados choques elétricos e furadeiras. Também há relatos de execuções sumárias.
Os documentos indicam que autoridades americanas sabiam que estas práticas vinham acontecendo, mas preferiram não investigar os casos.
O porta-voz do Pentágono Geoff Morrell disse à BBC que, caso abusos de tropas iraquianas fossem testemunhados ou relatados aos americanos, os militares eram instruídos a informar seus comandantes.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Adolescentes são recrutados em Campo Grande para formação do PCC Mirim


De Eliane Souza - (Midiamax)

“Infelizmente é modismo entrar para uma gangue ou fazer parte do PCC Mirim em Campo Grande”. A afirmação é de um policial que trabalha no serviço reservado de um batalhão da Polícia Militar. A confirmação vem com o número de ocorrências atendidas envolvendo menores ordenados por maiores e até mesmo como mentores de crimes.
A polícia chegou à conclusão que a droga é o grande gargalo a ser combatido, pois ela acaba facilitando o recrutamento dos menores para servir ao PCC, como membros mirins. Entre os principais delitos envolvendo estas crianças, além de vandalismo em grupos organizados em gangues, estão os seqüestros e cárceres privados de famílias em suas residências para roubo de objetos de valor, com visão especial em veículos para venda nos países vizinhos.
“Normalmente os menores agem com maiores. Eles ficam na residência mantendo a família sob mira de arma até que os maiores retirem o veículo da cidade. A organização é tanta que os cúmplices nem se conhecem, apenas na hora de cometer o crime, pois se alguém for pego não terá como delatar”, diz o policial.
Dívida dos pais
Ainda de acordo com o policial, alguns membros mirins do PCC são recrutados pelo corregedor do "partido", como é denominado o PCC, para pagar dívida de vício de pai que está preso. Este corregedor é sempre um maior de idade que vem de outro estado para organizar a facção criminosa fora da cadeia, tanto para bandidos acima de 18 anos quanto menores.
O número de menores comandando bocas de fumo também tem aumentado, não porque são realmente os donos do ponto ou da droga, mas porque acabam chamando para si este compromisso. A força da lei contra ele é considerada “mais branda”. Segundo a polícia, na região Sul da Capital é onde estão os maiores carregamentos de entorpecentes que chegam via Sidrolandia.
Depois é feito um trabalho formiguinha para levar porções menores para outros bairros e abastecer as bocas de fumo.
Mesmo considerados crianças, estes menores acabam cometendo os mesmos crimes que os maiores como, por exemplo, sequestros relâmpagos e morte, seja ela encomendada ou mesmo por despreparo no manuseio de armas.
Aluguel das armas
Como organizador da facção, o corregedor tem há algum tempo outra função: alugar armas para que membros, mirins ou não, cometam os delitos. Esta foi uma maneira encontrada para que o partido não tenha tantos prejuízos com a perda de armas, principalmente sob a cautela de crianças marginalizadas e que, portanto, ainda agem por impulso e acabam caindo nas garras da polícia.
Gangues envolvidas
Campo Grande tem, ao menos, cinco gangues organizadas. Elas são formadas principalmente por menores de idade e normalmente estão sob o comando de adultos que cresceram no ambiente marginal. Nelas também há registros de crianças recrutadas pelo PCC. Até agora, a polícia identificou como mais forte a Conexão Jamaica, pois surgiu no bairro Mata do Jacinto e já se alastrou em pelo menos seis setores.
Os integrantes da Conexão Jamaica são tão organizados que possuem até camiseta e boné que os identificam. Outro “artigo de luxo” dos maloqueiros (termo utilizado entre eles) é a composição de um rap exclusivo para ser cantado por seus integrantes.
Deaji tem conhecimento e planejamento
A delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude tem conhecimento sobre o PCC Mirim na Capital. A delegada titular Maria de Lourdes Souza Cano, porém, garante que é um número reduzido de menores envolvidos. Ela afirma desconhecer o fato de que pais dependentes químicos que estão presos estariam utilizando os filhos para quitar dívidas com o PCC.



Não existe uma situação corriqueira, onde menores praticam delitos para acobertar maiores. “Menor de idade não é uma fonte segura. Ele delata muito fácil o que faz, por isto não são os preferidos dos presos”, diz a delegada.
Ainda de acordo com Maria de Lourdes Cano, já existe um trabalho bastante seguro de monitoramente de menores infratores em Campo Grande, inclusive com identificação de todos os líderes de gangues ou “facções”. “Temos fotos e filmagens feitas pelo setor de inteligência da Polícia Civil e dos investigadores da Deaij. Temos até investigadores infiltrados”, revela.